Sobre a ATL
A Academia Teresinense de Letras (ATL) é uma instituição cultural dedicada à valorização da literatura, da língua portuguesa e da memória intelectual do Piauí. Fundada com o propósito de reunir escritores, poetas, ensaístas e pensadores, a ATL é um espaço de preservação, produção e celebração da cultura escrita.
Composta por cadeiras ocupadas por membros notáveis da cena literária e acadêmica, a Academia promove eventos, publicações, ações educativas e parcerias que fortalecem o cenário cultural local, abrindo caminhos entre o passado, o presente e o futuro da palavra.
📚 Somos tradição viva, somos cultura em movimento.
Casa Torquato Neto
Torquato Pereira de Araújo Neto marcou época como jornalista, compositor, cineasta e ator. Nascido em Teresina (PI), no dia 9 de novembro de 1944, foi uma das figuras mais inquietas e criativas da cultura brasileira nos anos 60 e 70.
Filho de um promotor público, Torquato cresceu em Teresina e, em 1961, mudou-se para Salvador, onde iniciou sua jornada artística ao lado de nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia. No mesmo ano, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou no curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia.
Seu primeiro trabalho foi como crítico musical no suplemento O Sol, do Jornal dos Sports. Em 1971, após retornar de um período de exílio político na Europa, foi contratado pelo jornal Última Hora, onde criou a famosa coluna Geleia Geral, abordando poesia, cinema e música com um olhar provocador e vanguardista.
Paralelamente à carreira jornalística, Torquato desenvolveu uma intensa atividade como compositor. Com Gilberto Gil, compôs “Geleia Geral”, “Minha Senhora” e “Zabelê”. Com Caetano Veloso, criou “Nenhuma Dor”. Em parceria com Edu Lobo, escreveu a clássica “Pra Dizer Adeus”. Com Carlos Pinto, assinou “Todo Dia é Dia D”. Outra obra marcante é “Go Back”, eternizada pela banda Titãs.
Torquato foi um dos principais articuladores do movimento Tropicália, que revolucionou a música popular brasileira com ousadia e ruptura de paradigmas. Inquieto, contestador e profundamente sensível ao contexto político da época, viu os amigos Gil e Caetano serem presos durante a ditadura e, em 1968, exilou-se em Paris e depois Londres, retornando ao Brasil em 1971.
Em meio ao cenário de repressão, enfrentou dificuldades pessoais. Sofreu com a dependência alcoólica e crises depressivas, passando por diversas internações. Casou-se com Ana Maria Silva de Araújo, com quem teve um filho, Thiago (nascido em 1970).
Torquato Neto faleceu aos 28 anos, deixando um legado imenso para a cultura brasileira. Sua obra segue viva, transgressora e necessária – um grito criativo contra a mesmice e o silêncio.